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Mais pessoas nas escolas

Mais pessoas nas escolas

Sou do país de Paulo Freire e começo por ele: “ninguém educa ninguém, ninguém se educa sozinho, nos educamos no encontro, mediados pelo mundo.” Outros grandes pensadores de diferentes partes do mundo disseram o mesmo, mas continuamos jogando toda a carga em professores e familiares – e muitas vezes os familiares jogam para os professores e os professores para os familiares. Eu me dedico a botar mais gente nesta roda.

Coordeno o Quero na Escola, projeto que faz isso de forma muito clara: os estudantes se inscrevem na nossa plataforma e dizem o que mais gostariam de aprender além do currículo que já têm na escola, divulgamos isso para o mundo, cadastramos voluntários que possam falar destes temas pessoalmente e conversamos com as escolas para que aceitem a entrada destas pessoas. Os temas motivadores são importantes, mas o principal é a entrada de novas pessoas na educação. Nossa missão é estourar a bolha da educação pública.

Em três anos de projeto, mais de 200 atividades foram realizadas espalhadas por metade dos 26 Estados do Brasil. Isso é possível porque o voluntário que vai à escola é o vizinho, o ativista local, o profissional da região ou quem quer que entenda da arte, profissão, tema tabu ou qualquer assunto que um jovem tenha solicitado. Nosso trabalho é fazer a ponte e sustentar o compromisso das duas pontas até que se encontrem.

Não temos um modelo de atividade. Nos preocupamos com o currículo do voluntário apenas para poder contar à gestão da escola quem é o voluntário. Não estabelecemos formato de atividade ou quantidade de visitas. Se a pessoa separa seu tempo e se desloca voluntariamente, sabemos que tem muita vontade envolvida e não é à toa que a raiz das palavras vontade e vocação são as mesmas.

Embora dezenas de temas tenham sido atendidos em formatos que variam de um encontro a curso de seis meses, os feedbacks que recebemos de estudantes, educadores que acompanham e inclusive dos próprios voluntários normalmente se parecem: todos comemoram o encontro diferente do cotidiano.  

 

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